Actas del Primer Congreso Latinoamericano de Niñez y Politicas Públicas, 14 al 17 de enero 2014 - page 346

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responsável pela criaçãodaescola, deum
espaço
deensinoedeum
tempo
deaprendizagem.
SegundoHamilton (1992), as primeiras noções de currículo aparecem, através deumprocessodeescolarização
demassa. O ensino e a aprendizagem se abrem ao escrutínio e ao controle externo levando aordem estrutural
absorvida no currículo, a conformar a relação entre conhecimento e controle. Essa ação política se desenvolve
tendo como sustentação os seguintes aspectos: a produção do conhecimento no contexto social e a tradução
desteparaoambienteeducacional.
Dessa forma, ao longodeuma trajetóriadeescolarização, o currículoprescritoéodeterminanteeodiferencia-
dor doquedeve ser repassado em salade aula, evidenciandoos padrões sequenciais de aprendizagem. Conse-
quentemente, o currículopassaa ser o identificador principal dediferenciação social.
A epistemologia dominante que caracterizava a escolarização do Estado no começo do século XX combinava a
trilogia; pedagogia, currículo e avaliação tornandoos efeitos do currículo generalizados eduradouros. No currí-
culoescolaramanifestaçãodemudançaapresentou-seatravésdosurgimentodamatériaescolar.Deacordocom
Goodson (2005): (...) Sea classeeo currículopassarama integrarodiscursoeducacional quandoaescolarização
foi transformadanumaatividadedemassana Inglaterra, o sistemade saladeaulaeamatériaescolaremergiram
noestágioemqueaatividade demassa se tornouum sistema subsidiadopeloEstado. Eapesar dasmuitas for-
mas alternativasde conceitualizaçãoeorganizaçãodo currículo, a convençãodamatériaescolar detevea supre-
macia.Naeramoderna já tratamoso currículoessencialmente comomatériaescolar”. (p.35)
É fatoque a escola tem comoumde seus papéis essenciais a preservaçãodamemória coletiva,mas ela jamais
conseguiriaensinar todoo conhecimento constituídoemuma sociedade, por issoocorreoqueWilliams chama
de “seleção cultural escolar”, ou seja, a seleção do que será conservado e ensinado ou do que acaba sendo
apagadoeesquecidodeacordo comos interesses sociais.
A questão da seleção dos conteúdos de ensino e de sua incorporação nos programas institucionalizados per-
maneceupormuito tempoumponto cegoda sociologia da educação. Foi através de amplas enquetes sobreos
fluxos de escolarização e das relações entre estes fluxos e certas características estruturais da sociedade que a
sociologiadaeducação conquistou, apartir dos anos 60, sua “cartadenobreza” científica, eé, frequentemente,
pela realizaçãodeumadescriçãometódicados conhecimentosescolaresedas salasdeaulaqueesta ciênciaen-
controu caminhosprivilegiadosparao seudesenvolvimentoe renovação (FORQUIN, 1993).
Sendoassim, éevidenteo reconhecimentodeque todaequalquer instituiçãoeducativa se constitui emespaços
estruturadospormeiodeprogramaoumatriz curricular, nosquais sãoestabelecidos traçosespecíficose contin-
gentesdeorganizaçãodo sistema cultural dedeterminada sociedadenumdeterminado tempo.
Partindodestepressupostopode-seafirmar queo currículonãoéum conjuntode conhecimentos neutros, pelo
contrário,éummeiopeloqual seexplicitammecanismosessenciaisdeumpropósitoeducativoquesupostamen-
teestáalicerçadonuma trama ideológica, política, social e institucional: “Todavia, sabe-sequeháelementos cul-
turais e conhecimentos construídos historicamentepela humanidade considerados preferenciais ouprioritários
quecorrespondemàsnecessidadessubjacentesdeumdeterminadogruposocial,deumaculturaeletivaedeum
espaçogeográficosingular.Pode-seassim reconhecê-loscomoconhecimento-regulaçãoquenaégidedosvalores
universais estabeleceaverdadeapartir deuma “raça”deum sexoedeuma classe social”. (SANTOS, 2005)
O sistemaeducacional éumelementomuito importantenamanutençãodas relações dominantes na sociedade
eentender asescolaseatuarnelasnãoé suficiente, assimcomo ignorá-las tambémnãoé. Éprecisodesenvolver
ações dentro delas. Tais ações a serem desenvolvidas dentro das escolas devem abordar as diferenças e amul-
ticulturalidade, pois não é possível falar em currículo sem falar empoder, inclusão, exclusão e cultura. Como já
diziaApple (1989): (…) umdosproblemas a seremenfrentados é compreender a forma comoos conhecimentos
e tradições dominantes reforçam a desigualdade e reproduzemos sistemas dedominação, porém issonão tem
sido claramentediscutidopelaspessoas envolvidasnoprocessoeducacional”. (APPLE, 1989)
Aescolaéum lugarprivilegiadode trocade ideias,deencontros,de legitimaçãodepráticassociaisede interação.
Isso se deve à sua ação sistemática de transmissão de conhecimentos. A tradição que instituiu as grades curri-
culares eo forte valor simbólico conferido aos conhecimentos escolares exigiu a criaçãode rígidosmecanismos
de controle daquilo que envolve sua transmissão e assimilação. Em torno das diferentes disciplinas ensinadas
e aprendidas na escola, novas regras são estabelecidas, comportamentos determinados, normas organizadas,
valores aferidos eelementosdediferentes culturaspostos em contato.
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