Libro de Actas del III Congreso Latinoamericano y del Caribe e Investigación en Educación Superior- LatinSoTL- 2025

1122 A ascensão do modelo social, a partir das décadas de 1960 e 1970, impulsionada por movimentos ativistas no Reino Unido e nos Estados Unidos, deslocou o foco da deficiência do corpo para o meio ambiente. Esse modelo concebe a deficiência como uma frequência social, construída nas interações entre indivíduos e barreiras arquitetônicas, atitudinais e comunicacionais. Instrumentos como a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006; Brasil, 2009) e a Classificação Internacional de Funcionalidade (OMS, 2001) foram desenvolvidos para essa mudança de paradigma, ao fundamentar a avaliação da deficiência nos princípios da autonomia, da dignidade, dos direitos humanos e da justiça social. Segundo Bampi et al. (2010), essa abordagem representa uma ruptura significativa com a perspectiva biomédica, ao enfatizar que é a sociedade, e não o corpo, que produz a deficiência. Entretanto, como observam Shakespeare e Watson (2001), embora esse modelo tenha representado um marco importante na luta por direitos, ele também apresenta limitações ao assumir a deficiência como uma categoria estável e periódica, desconsiderando experiências subjetivas e marcadores sociais interseccionais. Essa crítica impulsionou o surgimento de novas abordagens, como os modelos pós-sociais, que buscam evitar a uniformização da experiência da deficiência. Novas perspectivas que visam evitar a uniformização da experiência da deficiência, ultrapassando os limites do modelo social. Essas abordagens, mencionadas pós-sociais ampliam a compreensão da deficiência ao considerar elementos como gênero, raça, orientação sexual e classe social. A perspectiva interseccional destaca as múltiplas formas de opressão enfrentadas por corpos diversos e dissidentes, afirmando que a deficiência não pode ser comprovada isoladamente, mas como parte de um sistema abrangente de exclusão estrutural. As discussões sobre deficiência e interseccionalidade ganham força no contexto educacional quando articuladas ao ensino como campo legítimo de produção de conhecimento. A prática pedagógica comprometida com a transformação social exige investigação sistemática, reflexão crítica e abertura para o diálogo com a diversidade dos estudantes. Tal perspectiva pode ser sustentada quando se defende o ensino como um espaço de rupturas epistemológicas, capaz de evidenciar as intersecções entre deficiência, gênero, raça e classe, na construção de ambientes educativos mais inclusivos e comprometidos com a justiça social (Diniz, 2007; Martins, 2022). A perspectiva interseccional destaca as múltiplas formas de opressão enfrentadas por corpos diversos e dissidentes, afirmando que a deficiência não pode ser detectada isoladamente, mas como parte de um sistema abrangente de exclusão estrutural (Collins, 2021; Martins, 2022). É nesse contexto que emergem os modelos pós-sociais da deficiência, que ampliam o escopo da análise ao incorporar discussões sobre gênero, raça, orientação sexual, classe social e outras dimensões da diferença. Essas respostas reconhecem que a deficiência não pode ser isolada isoladamente, mas como parte de um sistema complexo e entrelaçado de opressões estruturais. Uma perspectiva interseccional, nesse sentido, permite evidenciar como as normas sociais atuam simultaneamente sobre diferentes marcadores identitários, produzindo formas específicas de exclusão, silenciamento e invisibilização de corpos dissidentes (Pagni, 2022). Teorias como a Crip e a Queer desafiam os conceitos normativos de reabilitação e adaptação, propondo uma redefinição da acessibilidade para além da inclusão convencional. Gavério (2017) destaca que a Teoria Crip tensiona os discursos hegemônicos sobre a deficiência ao expor como as representações sociais operam na

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