Libro de Actas del III Congreso Latinoamericano y del Caribe e Investigación en Educación Superior- LatinSoTL- 2025
1121 250 Modelos de compreensão da deficiência: caminhos para a educação inclusiva no ensino superior Caroline Hellen Rampazzo Alves, carolla81@gmail.com.Juliana Cavalcante de Andrade Louzada, juliana.louzada@unesp.br.Eliana Da Costa Pereira De Menezes, elianacpm@hotmail.com.Sandra Eli Sartoreto de Oliveira Martins, sandra.eli@unesp.edu.br . 1 Unesp, Marília, Brazil.2 UFSM, Santa Maria, Brazil. A compreensão dos modelos teóricos da deficiência contribui para uma análise mais aprofundada sobre a formação acadêmica de pessoas em situação de deficiência e sua relação com as concepções político-pedagógicas que fundamentam as práticas institucionais. A maneira como a deficiência é concebida interfere diretamente nos modos de organização político-pedagógica e nos processos formativos desse coletivo no contexto universitário.. De natureza teórico-reflexivo esse ensaio discordará sobre os modelos conceituais da deficiência presentes na atualidade, nos discursos e nas políticas educacionais e institucionais das universidades. Sob influência dos estudos críticos, do modelo social e pós-social da deficiência à luz da interseccionalidade, aludirá aspectos da problematização das desigualdades estruturais que impedem um olhar mais inclusivo e de justiça social na Universidade. De sorte, como as políticas educacionais discordam sobre o tema revelam aspectos conceituais importantes da evolução dos sentidos presentes na compreensão da deficiência. Aliadas a tais ponderações é possível notar o uso de termos que expressam compreensões mais plurais e abertas sobre o tema. Assim, diferentemente do exposto na Lei Brasileira de Inclusão (Brasil, 2015) “pessoa com deficiência” esse ensaio adotará a expressão “em situação de deficiência” para considerar que esta escolha ultrapassa a visão individual que responsabiliza o sujeito pelo seu desempenho educacional, corroborando para manter os mecanismos de exclusão socialmente. Postura que sinaliza romper com velhas práticas do capacitismo estrutural para se alinhar à compreensão mais aberta e plurais sobre o tema. A adoção da expressão pessoa em “situação de deficiência” visa, portanto, reconhecê- la em seu caráter relacional, histórico e contextual (Martins, 2022). Essa terminologia evidencia que a deficiência é uma condição socialmente vívida, atravessada por múltiplas interseções e passível de ser vivenciada por qualquer pessoa, em diferentes momentos da vida. Historicamente, a deficiência foi associada e associada a patologias ou incapacidades individuais, com abordagens biomédicas que enfatizavam a normalização corporal e funcional. Essa lógica, predominantemente no modelo médico, tem suas origens no pensamento iluminista e positivista, centrado na racionalidade, produtividade e adaptação do sujeito aos padrões dominantes. Nessa perspectiva, a responsabilidade pela exclusão recai sobre o próprio indivíduo, gerando práticas assistencialistas e pouco emancipadoras (Bisol, 2017).
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