Desafíos críticos para Latinoamérica y el Caribe
95 CONCLUSÃO Longe de tentar esgotar o tema, procurou-se estabelecer um panorama do contexto sul-americano atual e como a governabilidade migratória pode ser afetada por uma fragmentação no regionalismo e na integração. Foi possível perceber que os Estados lideraram poucas iniciativas a nível regional para responder à migração venezuelana, mesmo tendo avançado nas políticas migratórias a nível nacional. Prevalece mais uma governança que governabilidade migratória e a principal liderança nesse sentido tem sido a OIM, organização que está no centro das ações migratórias, fato este que deve ser estudado mais a fundo. Foram apresentados os principais desafios para o fortalecimento de uma governabilidade migratória na América do Sul, sendo eles de caráter estrutural e conjuntural; e a conjunção de todos eles torna pra- ticamente irrealizável os três elementos para a existência de uma governabilidade das migrações. O ce- nário da integração regional como um todo encontra-se enfraquecido e o primeiro passo seria reavivar mecanismos e processos que perderam dinamismo. Em momentos de crise, como a atual, decorrida da pandemia do novo coronavírus, a tendência é que os países se voltem ainda mais para dentro, no en- tanto, a coordenação de esforços conjuntos podem ser uma estratégia valiosa para superar fragilidades que individualmente talvez não pudessem ser superadas. Em meio a disputas de narrativas, conflitos de interesses e tudo o que possa girar em torno do tema, está o povo venezuelano. Enquanto a situação não for considerada em seu todo e de forma racional, não será possível avançar para uma solução. Embora sejam cruciais e indispensáveis a difusão do con- hecimento e a discussão em torno da questão, muitas vezes elas encaminham para discussões estéreis, inspiradas em convicções ideológicas, que obstaculizam a construção do diálogo. É realmente possível governar as migrações? Se sim, pra quê? Que perspectivas de coordenação mi- gratória existem fora do paradigma das migrações “ordenadas” e “regulares"? Mais que respostas, ficam perguntas, especialmente numa conjuntura repleta de incertezas. Resta, por fim, manter a espe- rança de que essas incertezas tragam mudanças positivas e convirjam para a construção de uma nova ordem, mais igualitária, inclusiva e estável.
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