Desafíos críticos para Latinoamérica y el Caribe

92 impactam diretamente a possibilidade de uma governabilidade regional, principalmente no aspecto da estabilidade que é necessária. No lugar de uma adaptação das iniciativas existentes aos desafios e necessidades conjunturais, elas são abandonadas ou substituídas. A terceira limitação estrutural apontada por Nolte (2019) e que permite uma melhor compreensão do objetivo proposto neste ensaio é a porosidade da região em relação a influências externas, especial- mente dos Estados Unidos e, mais recentemente, da China. Essa porosidade se traduz na constatação de que a região responderia mais a estímulos extra- regionais que intrarregionais. O grau de porosida- de está sujeito às conjunturas doméstica, regional e internacional. Considerando o contexto atual, esse é um aspecto fundamental para analisar a migração venezuelana e será desenvolvido mais abaixo. Por fim, mas não menos importante, a forte tradição soberanista seria um entrave para o aprofunda- mento da integração regional. O princípio de não-intervenção, a soberania nacional e a independência dos Estados são seriamente valorizados e bastante resguardadas, seja como forma de fazer frente a in- gerências externas ou internas. Os países não se interessam por configurações institucionais que impli- cam algum grau de cessão ou compartilhamento de soberania, o que seria interessante em momentos de pouco consenso entre os membros como garantia - embora não absoluta - de fortalecimento da união. Quando o assunto é migração, fenômeno que por sua própria natureza desafia as concepções tradicionais de soberania e Estado-nação, é ainda mais difícil se aprofundar em acordos, decisões ou iniciativas regionais e o que se percebe é a desintegração de ações, que são voltadas para o interesse de cada país. Essas são algumas das muitas limitações ao avanço e aprofundamento da integração regional na Amé- rica Latina, de forma geral; outros desafios se encontram ainda no âmbito comercial e econômico, na questão de soluções de controvérsias, entre outros. A incorporação no texto dos pontos apresentados acima se deu com base no critério do que seria mais relevante para o caso das migrações. 2.2.2 Desafios conjunturais Numa relação estreita com esses aspectos estruturais, a região enfrenta alguns desafios conjunturais, tanto externos quanto internos, listados a seguir: i) reconfiguração do poder nas relações internacio- nais; ii) agenda dos Estados Unidos para a América Latina; iii) divergências políticas; iv) mudança na orientação da política externa de alguns países da região; v) tendência à cooperação em detrimento da integração; vi) ausência de uma liderança regional; e vii) postura venezuelana. Esses desafios possuem profunda conexão entre si e a relação entre eles e as limitações estruturais apresentadas acima permi- tem compreender o atual panorama regional e identificar alguns dos obstáculos à efetivação de uma governabilidade migratória em relação ao fluxo venezuelano. Quanto ao cenário externo, a reconfiguração do poder na esfera internacional com a ascensão de no- vas potências emergentes e uma relativa perda do poderio estadunidense geram reflexos na região, principalmente no que diz respeito à disputa entre Estados Unidos, que historicamente possui grande influência na América Latina, e a China, aumentando cada vez mais sua presença, tendo se tornado o principal sócio comercial de muitos países latino-americanos. Na própria Estratégia de Segurança Na- cional dos Estados Unidos, (2017, p.51), é mencionada a presença de novos atores no hemisfério e fica evidente que haverá um empenho do governo de Donald Trump em fazer frente a este cenário: A China busca colocar a região em sua órbita através de investimentos e empréstimos liderados pelo Estado. A Rússia continua sua política fracassada da Guerra Fria reforçando seus aliados radicais cu- banos enquanto Cuba continua reprimindo seus cidadãos. Tanto a China quanto a Rússia apoiam a ditadura na Venezuela e buscam ampliar as ligações militares e as vendas de armas em toda a região. Os estados democráticos do hemisfério [ocidental] têm um interesse compartilhado em enfrentar ameaças à sua

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