Desafíos críticos para Latinoamérica y el Caribe

78 humanas através da educação, saúde e nutrição e o acesso a serviços básicos, e os déficits relaciona- dos ao trabalho e as incertezas associadas às mudanças tecnológicas e seu impacto no mundo laboral. Além destes fenômenos, o documento ainda aponta para “nós emergentes” que se apresentam como desafios para o desenvolvimento social inclusivo na região como as diferentes formas de violência, os desastres ambientais e a mudança climática, a transição demográfica, epidemiológica e nutricional, as mudanças tecnológicas e seus impactos nas diferentes dimensões do desenvolvimento e o fenômeno das migrações. Diante dos desafios estruturais da região e as mudanças na dinâmica global, García (2020) assinala a urgência de uma estratégia de desenvolvimento regional renovada que combine visão integral e holística a longo prazo, enfoque realista no futuro e continuidade entre os governos. O autor ressalta ainda a importância de compatibilizar os objetivos de estabilidade macroeconômica, eficiência e com- petitividade com a equidade e inclusão social e a sustentabilidade ambiental. Ademais, as estratégias de desenvolvimento regional devem ter em vista as tendências globais e regionais, entre as quais des- taca-se, a nível global, o aumento da esperança de vida da população mundial, a escassez dos recursos naturais, as mudanças climáticas, as desigualdades na distribuição da riqueza e equidade social internas e externas aos países, e, a nível regional, os dissensos acerca dos processos de integração. Para Lagos (2014), a América Latina vive um novo ciclo político, econômico e social, marcado pela busca de crescimento econômico associado à diminuição da pobreza e desenvolvimento de políticas voltadas à construção de uma sociedade mais igualitária. Este capítulo que se descortina para a América Latina traz consigo a ênfase no desenvolvimento sustentável e na redução das desigualdades econô- micas e sociais. Impõe-se para a região o desafio de gerar condições para assegurar qualidade de vida para a população e desenvolvimento social, e com isso, eleger “bens” que estarão disponíveis a todos e poderão ser usufruídos sem exclusão, entre os quais o autor assinala a educação, a saúde e outros direitos sociais básicos. A SAÚDE NA AMÉRICA LATINA Em termos de saúde, os principais problemas apontados em 2017 pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS) na região são relacionados a doenças crônicas, transtornos mentais, deficiências, trauma- tismos decorrentes de acidentes de trânsito e a violência. De acordo com o relatório, a mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis é elevada, com destaque para as doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias. Também coexistem problemas de saúde decorrentes de desastres, doenças emergentes e doenças transmitidas por vetores, como a febre amarela, endêmica em 14 paí- ses, dengue, malária, além das doenças crônicas transmissíveis tais como tuberculose, hanseníase e as infecções sexualmente transmissíveis. De acordo com os dados do Panorama de la Salud para Latinoamérica y Caribe, elaborado pela Orga- nização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e Banco Mundial (World Bank - WB), a região apresentou melhoria no estado geral de saúde da população no período compreendido en- tre os anos 2000 e 2017, com aumento da esperança de vida em quase 4 anos e diminuição de 35% na mortalidade infantil e 26% na mortalidade materna. Em consonância com o documento da OPAS, reconhece- se a relevância das doenças transmissíveis e da violência no rol de problemas de saúde da região, sendo que a violência interpessoal apresentou crescimento de 33% no período entre 1990 e 2017. Ademais, sinaliza-se que o tabagismo, o consumo de álcool e o sobrepeso tem se convertido em fatores de risco críticos para a saúde na região (OECD, WB, 2020). Novamente, as desigualdades resultam em um dos grandes desafios que comprometem maiores gan- hos no campo da saúde, gerando efeitos negativos tanto sobre a saúde quanto sobre o desenvolvi- mento. Incrementos no desenvolvimento econômico regional não se mostraram suficientes para o

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